(Source: undeadlife)

uma flor para uma fro (Taken with instagram)

(Source: beatleshumor)

(Source: g-lauben)

beatleshumor:

Provavelmente a foto mais triste da história.

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Provavelmente a foto mais triste da história.

O Atirador no campo do desespero
   8 de dezembro de 1980.
  Quando abri os olhos não pude crer no que via, isso acontecera mesmo? A noite fria de dezembro me confundia um pouco. Fechei os olhos novamente e tentei me concentrar, rezar para que não fosse verdade, mas aquele barulho, aqueles 5 tiros que mais soavam como explosões, explosões de tristeza, angústia, raiva e medo, não saiam da minha cabeça. Ouvia gritos da mulher que passava por mim todos os dias, e não demorou até eu ouvir as sirenes. “Por quê?” foi tudo o que eu soube dizer.
  Eu não entendia a razão, Mark David Chapmam começou a freqüentar o edifício Dakota meio que de repente e desde então veio todos os dias.  Eu como um mero porteiro, me tornei seu amigo nesse tempo, era difícil não conversar com a multidão que ficava em frente ao prédio todos os dias, eram perguntas como “ele já saiu?”, “sabe que horas ele volta?”, “para onde a limusine o levou?” o tempo todo. Já Mark nunca me fizera uma dessas perguntas, era calmo, sempre estava com o seu livro “O apanhador no campo de centeio” e o LP “Double Fantasy”, ficava aqui na frente desde manhã até o dia ir embora.
  Lembro de uma vez que Mark teve o autógrafo negado, achei que ele até desistiria (e quem dera tivesse) de vir aqui todos os dias, era o que me parecia pela sua expressã. Mas ele infelizmente continuou. Hoje, como todos os dias, tinha cara de ser mais um dia normal, Mark havia ganhado um autógrafo logo pela manhã e depois passado o resto do dia aqui na frente conversando comigo. “Tudo em paz”, pensei. Doce ilusão. A limusine branca chegou e aquele bom homem e sua mulher desceram, nos cumprimentaram e foram logo entrando no prédio. Ouço 5 disparados e vejo a terrível cena. Não, não pode ser verdade, meus olhos, meus ouvidos estão pregando-me uma peça! Mark seria mesmo capaz de fazer tamanha barbaridade? Como se eu tivesse voltado de uma viajem surreal, entendi o que estava acontecendo: John Lennon acaba de ser baleado em frente ao prédio onde morava e eu como porteiro assisti tudo incapaz de acreditar.
   Mais tarde vieram as manchetes, a multidão se aglomerando, velas acesas, pessoas chorando, flores no chão e músicas como ‘Give peace a chance’ sendo cantadas em voz alta. E eu vi Mark ali, sentado no meio fio, balançando o corpo como se estivesse em transe,  segurando seu autógrafo, seu livro e sua tão impiedosa arma. Todos faziam aquela mesma pergunta que a minha: “Por quê?”. A imprensa deu vários porquês para o assassinato, todos cheios de explicações que mais incredibilidade causava. É um louco, um psicopata, dizem.  Na cena do assassino sentado na calçada, ninando-se com a arma na mão, veio a explicação que eu mais entendi: Um miserável, uma vida miserável, que nunca teve um afago, um colo para ser embalado, uma sensação de que a vida não necessita de sua presença para acontecer, um ser humano vazio e desnecessário. Certamente sejam esses os motivos para a mente de alguém assim.
  Dizem que Mark queria ser famoso, e ficou, mas essa fama não é motivo de orgulho. Será que o assassino não entende isso? Não sei, afinal, quem sou eu para explicar o que acontece na alma dos outros? Um simples porteiro que acompanhou de perto um dos maiores astros da música de todos os tempos ser abatido a tiros numa noite de lua e estrelas. Talvez John tivesse feito uma musica com esse cenário, o que John contaria sobre o assassino? Nem é preciso muito esforço para imaginar uma letra de musica onde o astro pediria para que Mark fosse perdoado porque o amor é maior que todas as coisas. Sim, a bandeira de paz e amor que John abraçou nos últimos anos de vida não ficou no esquecimento, é como se ele estivesse cantando mesmo depois de morto e talvez o único que não consiga escutar seja o Mark, pobre Mark.

O Atirador no campo do desespero

   8 de dezembro de 1980.

  Quando abri os olhos não pude crer no que via, isso acontecera mesmo? A noite fria de dezembro me confundia um pouco. Fechei os olhos novamente e tentei me concentrar, rezar para que não fosse verdade, mas aquele barulho, aqueles 5 tiros que mais soavam como explosões, explosões de tristeza, angústia, raiva e medo, não saiam da minha cabeça. Ouvia gritos da mulher que passava por mim todos os dias, e não demorou até eu ouvir as sirenes. “Por quê?” foi tudo o que eu soube dizer.

  Eu não entendia a razão, Mark David Chapmam começou a freqüentar o edifício Dakota meio que de repente e desde então veio todos os dias.  Eu como um mero porteiro, me tornei seu amigo nesse tempo, era difícil não conversar com a multidão que ficava em frente ao prédio todos os dias, eram perguntas como “ele já saiu?”, “sabe que horas ele volta?”, “para onde a limusine o levou?” o tempo todo. Já Mark nunca me fizera uma dessas perguntas, era calmo, sempre estava com o seu livro “O apanhador no campo de centeio” e o LP “Double Fantasy”, ficava aqui na frente desde manhã até o dia ir embora.

  Lembro de uma vez que Mark teve o autógrafo negado, achei que ele até desistiria (e quem dera tivesse) de vir aqui todos os dias, era o que me parecia pela sua expressã. Mas ele infelizmente continuou. Hoje, como todos os dias, tinha cara de ser mais um dia normal, Mark havia ganhado um autógrafo logo pela manhã e depois passado o resto do dia aqui na frente conversando comigo. “Tudo em paz”, pensei. Doce ilusão. A limusine branca chegou e aquele bom homem e sua mulher desceram, nos cumprimentaram e foram logo entrando no prédio. Ouço 5 disparados e vejo a terrível cena. Não, não pode ser verdade, meus olhos, meus ouvidos estão pregando-me uma peça! Mark seria mesmo capaz de fazer tamanha barbaridade? Como se eu tivesse voltado de uma viajem surreal, entendi o que estava acontecendo: John Lennon acaba de ser baleado em frente ao prédio onde morava e eu como porteiro assisti tudo incapaz de acreditar.

   Mais tarde vieram as manchetes, a multidão se aglomerando, velas acesas, pessoas chorando, flores no chão e músicas como ‘Give peace a chance’ sendo cantadas em voz alta. E eu vi Mark ali, sentado no meio fio, balançando o corpo como se estivesse em transe,  segurando seu autógrafo, seu livro e sua tão impiedosa arma. Todos faziam aquela mesma pergunta que a minha: “Por quê?”. A imprensa deu vários porquês para o assassinato, todos cheios de explicações que mais incredibilidade causava. É um louco, um psicopata, dizem.  Na cena do assassino sentado na calçada, ninando-se com a arma na mão, veio a explicação que eu mais entendi: Um miserável, uma vida miserável, que nunca teve um afago, um colo para ser embalado, uma sensação de que a vida não necessita de sua presença para acontecer, um ser humano vazio e desnecessário. Certamente sejam esses os motivos para a mente de alguém assim.

  Dizem que Mark queria ser famoso, e ficou, mas essa fama não é motivo de orgulho. Será que o assassino não entende isso? Não sei, afinal, quem sou eu para explicar o que acontece na alma dos outros? Um simples porteiro que acompanhou de perto um dos maiores astros da música de todos os tempos ser abatido a tiros numa noite de lua e estrelas. Talvez John tivesse feito uma musica com esse cenário, o que John contaria sobre o assassino? Nem é preciso muito esforço para imaginar uma letra de musica onde o astro pediria para que Mark fosse perdoado porque o amor é maior que todas as coisas. Sim, a bandeira de paz e amor que John abraçou nos últimos anos de vida não ficou no esquecimento, é como se ele estivesse cantando mesmo depois de morto e talvez o único que não consiga escutar seja o Mark, pobre Mark.